27.1.17

Amor, música, cor e desatino

"La La Land-Melodia de Amor” é o filme mais falado dos últimos tempos. Conquistou sete Globos de Ouro, e avança com 14 nomeações para os Óscares. Entretanto, prepara-se para ganhar ainda 11 troféus BAFTA. Numa homenagem aos clássicos de Hollywood, o filme de Damien Chazelle é uma overdose de boa disposição



Hoje é dia de estreia. A sala de cinema transborda ansiedade e expectativa. À minha frente duas criaturas de idades compreendidas entre os 20 e 25 anos, implicam, primeiro com o lugar (não é o ideal) depois... com o filme que ainda não viram “Um musical querida?! Que mal fiz eu? Vamos ver se, no mínimo, a música safa isto!” Sorrindo, ela responde “Até ao final da noite ainda vais ter de engolir esse comentário...”. Determinado, ele reclama "velha jarreta!". Para começar não está mal.
O burburinho na sala diminui à medida que se aproxima a hora “H”. As luzes apagam-se e todos ficam suspensos. O casal à minha frente está agora 'preso' à tela. Envolvidos pela trama, trocam olhares quando a música é mais terna. Enroscam-se sempre que os protagonistas Ryan Gosling e Emma Stone se unem na magia da música. O amor está no ar e as notas musicais embelezam-no ainda mais. Ao piano, em tom de jazz ou num pezinho de dança não há emoção que passe despercebida. Ryan Gosling é uma escolha interessante. Se fosse Miles Teller (de “Whiplash”) como inicialmente previsto, este personagem seria indubitavelmente menos “credivel”. Ryan Gosling é charmoso e imprime à sua personagem a química e o romance  necessários para levar Emma Stone e o público a apaixonar-se. Aquele bailado ao luar, a fazer lembrar a “Serenata à Chuva”, é a gota de água. O casal está completamente rendido. De lágrimas nos olhos ela olha-o. Submetido à sua vontade e à mestria do realizador Damien Chazelle ele sussurra-lhe aos ouvidos “Ganhaste! O filme merece o Oscar!
Eu fui ao cinema ver o “La La Land- Melodia de Amor” e acabei por ver dois filmes. Aquele que mostra um Sebastian (Ryan Gosling) apaixonado pelo jazz, que deseja abrir o seu clube e se apaixona por uma rapariga que quer ser atriz, Mia (Emma Stone). E, a outra fita em que, à minha frente, a jovem morena e sonhadora consegue convencer o seu parceiro a entrar na “dança”. Objectivos cumpridos.


 credits: Instagram                             Ryan Gosling e Emma Stone;                 

E se para alguns este filme pode resultar apenas num momento de entretenimento, para a maioria ele será, ainda que inesperadamente, um momento de meditação especialmente inesquecível e único no que concerne ao amor, às escolhas e à magia da própria vida. É o favorito na corrida aos Óscares e tem motivos de sobra para isso. Damien Chazelle criou uma história cheia de cor e ritmo que exala uma alquimia própria e nos transporta para o universo fantástico do sonho. “La La Land-Melodia de Amor” já conquistou sete Globos de Ouro, e avança com 14 nomeações para os Óscares, igualando “Titanic” e “Eva”. Entretanto, conta também com 11 nomeações aos BAFTA. Mais do que um filme ele traduz a paixão pela vida, pela música e pelo amor. Fica claro que "La La Land" é uma overdose de boa disposição além de ser ainda uma homenagem aos clássicos de Hollywood.

Para a memória



Sempre que se fala em musicais vem-me à ideia o nome do grande George Gershwin que, em 1937, estava apostado em levar para a sétima arte a fórmula que fez sucesso nos palcos da Broadway. A era dourada da industria cinematográfica norte-americana deu então a conhecer nomes como Gene Kelly, Judy Garland, Bing Crosby. Quem não se recorda de filmes como “Serenata à Chuva" (de Stanley Donen e Gene Kelly,1952), "My Fair Lady (de George Cukor, 1964). E, os anos 60 marcaram uma mudança na linguagem e na estética dos musicais, quer no teatro quer no cinema. A introdução de musicas pop, o uso de efeitos especiais bem como uma abordagem aos temas sociais fizeram o género ganhar outros estilos e projecção. Mas, seriam as décadas de 70 e 80, a mostrar uma nova faceta nos musicais com alguns filmes a misturarem romance e drama ilustrados e inspirados na música e cultura pop, como , "Grease" (de Randal Kleiser, 1978) e "Flashdance"(de Adrian Lyne, 1983). Porém, é na Broadway que surge um dos mais bem-sucedidos talentos da história dos musicais. O compositor inglês Andrew Lloyd Webber, que se destaca com "Jesus Cristo Superstar" e, mais tarde, "Evita" (1979), uma dramática biografia de Eva Peron, que se torna um enorme sucesso comercial. Para a frente é que se faz o caminho e o cinema foi pródigo em mostrar que os musicais vieram para ficar e exemplo disso são “West Side Story” (1961), “Música no Coração” (1965), “All That Jazz” (1979), “O Fantasma da Ópera” (2004), e “Moulin Rouge” (2001), títulos que fizeram história.

Texto: Isa Vieira
Fotos: DR, Instagram



La La LandMelodia de Amor

2016 | Romance, Comédia, Drama | 128 min
Com: Emma Stone, Ryan Gosling, J.K. Simmons
Realização - Damien Chazelle
Estreia em Portugal - 26 Jan. 2017
Distribuidor - Pris


9 comentários:

  1. Por acaso também gostei muito. A música é óptima e Emma até sabe cantar ...

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  2. Esse casal parece ter aproveitado bem o filme, hein Isabel?

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    1. heheheheheh estiveram atentos ao filme e parece que ela tinha razão.

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  3. Embora este filme tenha sido nomeado para 14 Óscares, não me parece que exista qualquer comparação com os famosos Fred Astaire e Ginger Rogers. Vou esperar para ver.No entanto achei úteis as informações de «Para a Memória».

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    1. Maria Emilia Moura não se pode comparar nem a intenção é essa. E tens de ver

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  4. Tenho lido muito sobre o filme mas ainda não vi. Agora fiquei curiosa...

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  5. Gosto muito do Ryan Gosling e não o imaginava a dançar. O trailer convida a ver o filme e creio que lhe falta aqui colocar o trailer Isabel. Quanto ao texto, gostei muito. Divertido e informativo.

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